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Cuiabá fez 293 anos, mas quem ganhou o presente foi a MTBROKER
Revolução ‘made in Cuiabá’
MARIANNA PERES
Da Editoria
O paraense Charles Pantoja, próximo de completar 39 anos, se apresenta como um apaixonado por Cuiabá. Aportou por aqui há mais de uma década como coordenador de área da Unilever Bestfoods, a segunda maior empresa de alimentos do mundo, e foi absorvido pelo mundo do agronegócio, onde por alguns anos ‘respirava commodities’, como analista de mercado. Com formação em análise de sistemas e administração de empresas e mestrado em várias áreas, Pantoja começa a consolidar sua carreira e ser conhecido além do mercado de algodão. Ele acaba de desenvolver uma ferramenta inédita no Brasil para comercialização de commodities na web.
Neste momento, o analista (agora de sistemas) retorna à Lucra Corretora, não mais como operador de mercado e sim como o ‘pai’ do Sistema Eletrônico de Comercialização Web (SECW). Como explica, o sistema consiste em centralizar as melhores ofertas de vendedores e deixar a disposição dos compradores que já estão cadastrados. O diferencial competitivo é que todos os lotes já possuem a qualidade em um arquivo, onde o comprador, sem ligar para ninguém acessa e vê. No modelo oficial de compra e venda via telefone há um custo financeiro e de paciência embutidos”.
Ele lembra que desde 2001 já se pensava em um modelo que ofertasse mais um canal além do telefone e do e-mail, mas como frisa, naquela ocasião não havia conhecimento suficiente e nem tecnologia. Com orgulho, Pantoja destaca que a ferramenta mudou completamente a rotina habitual da Corretora. Mal o sistema começou a ser operado pela Lucra Corretora, em Cuiabá, e ele percebe “a sondagem” do mercado e corre para registrar a sua criação que acaba de sair do forno sob a tutela de sua empresa a MTBroker. “Ninguém possui esta ferramenta, sendo uma inovação ao segmento. Fora do Brasil, já existe uma grande empresa atuando com algo similar”.
Lá atrás, em 2002, o analista, sempre envolto com o agronegócio, desenvolveu um sistema de controle e emissão de certificados, um software voltado ao atendimento e controle de empresas que prestam serviços de classificação oficial de cereais. A atividade é coordenada pelo e de responsabilidade do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). “No Brasil são aproximadamente 63 empresas que podem prestar esse serviço. Destas, umas nove estão em Mato Grosso. Em 2007, criei uma versão web deste programa. E passei a vendê-lo em todo o Brasil. Hoje são 14 empresas das muitas que o Brasil tem que usam a ferramenta de alguma forma ou estão em implantação. Minha expectativa é abrir mais quatro até o final do ano. Em 2009, como convidado e juntamente com um parceiro comercial, fiz duas apresentações do sistema ao Mapa, que gostou muito e queria desenvolver algo parecido para disponibilizar nacionalmente e de forma gratuita às empresas de classificação do Brasil. O projeto não pôde ir pra frente porque eles não conseguiram uma forma dentro da lei de aquisição do meu trabalho ou me inserir no processo para que eu recebesse o valor justo de que a ideia e o software necessitavam. Mas não vou desistir, porque as ferramentas são inovadoras e, em relação ao trabalho de fiscalização que o Mapa faz, diminui o risco de fraude documental para zero”.
Em outra frente, agora na medicina, ele criou também em 2007 um prontuário médico centralizador, utilizado por 45 clientes. O médico não usa o sistema das empresas m que trabalha e sim o próprio sistema. “Não importa onde ele esteja prestando o serviço, a secretária do local lança as informações via internet e a ficha do paciente se mantém atualizada onde quer que ele vá, independentemente do local de registro”. Em 2011 este sistema passou a aceitar também o arquivamento das imagens de todos os exames que os pacientes apresentam aos médicos.
FUTURO – Para Pantoja, a informática terá seu lugar no futuro, sim, “porém com a facilidade de entrada de softwares da Índia e da China poucos querem investir em desenvolvimento aqui, pois fica muito oneroso e às vezes nos deparamos com algo similar já pronto e melhor do que o que fazemos ao preço de R$ 15 no camelô da Capital. A desmotivação é grande. Sorte nossa é que a escalada da TI é exponencial. Quanto mais novidades forem criadas em tudo que é área, maior será a demanda por profissionais”. Questionado sobre aonde está este futuro, ele destaca que a TI terá como nicho protagonista a área governamental. “Tudo do governo é feito aqui mesmo. E com mérito. Os sistemas são bons. O que ainda peca é a estrutura, pois de ‘vez em sempre’ tudo fica fora do ar e quem depende disso não pode recolher seus impostos e perde seus prazos”. (MP)







